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1 02/07/2019 11:08

Dizia Tancredo Neves que o político tem de ter medo até para descer do meio-fio e para isso precisa se cercar de todos os cuidados. E o mais mineiros dos políticos sabia muito bem do que afirmava, de promotor público em São João Del-Rei, foi vereador, deputado estadual, federal, senador, governador e presidente da República, que embora não tenha tomado posse, foi eleito pela esperança do povo na construção de um Brasil melhor. Mas isso não faz diferença para o prefeito de Canavieiras, Clóvis Almeida.

Outra lei implacável é a conhecida terceira lei de Newton, cuja teoria diz: “Para toda ação (força) sobre um objeto, em resposta à interação com outro objeto, existirá uma reação (força) de mesmo valor e direção, mas com sentido oposto. Mas, ao que parece, o prefeito Almeida talvez não saiba ou não acate o que seu professor de física ensinou em sala de aula. Pode ser que não deva ter dado a importância necessária, ou, quem sabe, tentar mostrar que Newton estaria errado…

A verdade é que, em vez de usar seu tempo na prefeitura para administrar – e bem – Canavieiras, utiliza parte de seu tempo para atacar os adversários pelas redes sociais, num português chulo e ortografia ridícula, tratando seus desafetos como verdadeiros inimigos figadais. Se esses escusos procedimentos fossem só no particular já não pegaria bem, imagine editando uma “live” no Facebook, gravada dentro do próprio gabinete do prefeito.

Para ele não existe local mais adequado. Em algumas “lives” em que foi obrigado – ou aconselhado – a apagar, cometia crimes de discriminação e homofobia, xingava outros tantos, ofendia familiares de vereadores e ainda atentava contra a religião. Esse procedimento de ditador ganha o mundo pelas redes sociais sem qualquer cerimônia e num discurso chegou a ofender os conselheiros do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM) sem qualquer dissimulação.

E age de forma descivilizada no varejo ou no atacado sem qualquer cerimônia, não se sabe por entender que, como conseguiu escapar da cassação pelo Tribunal Regional Eleitoral num processo com provas robustas de crime por abuso de abuso do poder econômico, inclusive com depoimentos testemunhais e notas fiscais emitidas fora de hora. Para o prefeito de Canavieiras, a frase “a justiça tarda mas não falha” é coisa de zé mané, e que o Ministério Público é coisa pra inglês ver. Basta ter paciência que seu dia chegará.

De certa maneira, seus atos espalhafatosos não são divulgados com o destaque que deveria nos meios de comunicação para não parecer perseguição. Nos momentos em que são levados ao conhecimento por meio dos veículos – rádio, jornal e TV – tenta se defender como se fosse um homem de Deus, apenas por ter ingressado numa religião protestante, acreditando que ao exclamar as palavras, amém, aleluia, Oh, Glória, Jesus está no comando, apagará todos os seus pecados. Ledo engano!

De motoprópria não conseguiu chegar a um cargo público eletivo, mas por ironia da política se elegeu prefeito de Canavieiras com o apoio do ex-prefeito Zairo Loureiro, que tanto eles escrachava. Teriam falhado as leis de Tancredo Neves e Isaac Newton, ou foi uma simples coincidência. Aliás, o fato de Almeida pegar um carro de som e se postar em frente da prefeitura para esculhambar o prefeito foi bastante lembrado e se transformou num “meme” de campanha.

Pouco importou e Almeida, sem grupo político expressivo, mas com o apoio dos Talibãns – como é conhecido o grupo político liderado por Zairo Loureiro – vence a eleição. Antes mesmo da posse, como um escorpião, começa a destilar seu veneno contra os correligionários. Se chegou rachado à posse, assim que sentou na cadeira de prefeito, também agindo como escorpião, iniciou a canibalização do grupo, espalhando seus membros, em vez de ciscar pra dentro, como manda a lei da política.

E de processo em processo de canibalização, perdeu o apoio da Câmara de Vereadores, onde chegou a dispor da unanimidade dos edis, mesmo daqueles que nunca o viram com bons olhos, mas não deixavam de votar nos projetos que enviavam ao Legislativo para apreciação. Sempre recebiam 10 votos dos 11 vereadores, pois não precisava do voto do presidente. Aos poucos, foi perdendo cada um dos vereadores da bancada da situação, numa reversão nunca vista na história política de Canavieiras.

Mesmo com os revezes sofridos no Legislativo – apesar da aprovação de projetos – tentou manter sua saudosa hegemonia e foi rejeitado, se transformando numa espécie de “Rei Midas” ao contrário, e a simples menção de apoio ao candidato à Presidência da Casa era rejeitada de pronto. O candidato citado se via incomodado com o pretenso apoio e se via obrigado a buscar os meios de comunicação para renegar o préstimo ou adjutório, sob pena de perder a eleição.

Mas briga pouca é café pequeno para Clóvis Almeida, que se recusa – terminantemente – de responder aos pedidos de informação ou atender aos pedidos de providência e indicações de obras e ou serviços, com o receio de que chegue ao povo o crédito ao vereador. Tão pouco liga para cumprir as leis municipais ou nacionais, conforme denúncias constantes dos vereadores quanto às licitações, um acinte à Lei 8.666, conforme dizem os vereadores.

Agora, para coroar, está sendo investigado na Câmara pela chamada CPI do Lixão, na qual os absurdos se iniciam na licitação e continua na planilha de pagamentos. Pior, ainda, são os depoimentos contraditórios colhidos pelo legislativo dos colaboradores do prefeito. Mais como farinha pouca meu pirão primeiro, o prefeito se vangloria de não temer o resultado da CPI, por contar com os vereadores seus amigos, cujos favores não têm o menor pudor em dizer de alto e bom som por onde passa, por acreditar na impunidade.

E assim caminha a humanidade em Canavieiras. Quem sabe, até um belo dia. Mas isso fica por conta dos vereadores, da polícia, do ministério público, do poder judiciário. Ou do eleitor, quem sabe...na próxima eleição. Da minha parte, como morador de Canavieiras que deseja uma cidade melhor, fico por aqui, para não ser confundido como inimigo, perseguidor, ou coisa que valha. Pra mim, chega, darei um ponto final!

* Radialista, jornalista e advogado.


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