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1 23/01/2022 12:33

Aeródromos privados no interior respondem por todos os acidentes aéreos na Bahia em 2021 – foram 7, sem mortes, mas com um piloto ferido, de acordo com o painel Sipaer (Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).

Este foi o maior número de ocorrências do tipo em cinco anos, e vai contra a tendência nacional: o Brasil fechou o ano com 139 acidentes, menor número desde 2011. 

Outro dado chama atenção – todos os acidentes estão concentrados em municípios do Oeste baiano, onde há intensa atividade do agronegócio: São Desidério, com dois, Barreiras, Morpará, Correntina, Riachão das Neves e Luís Eduardo Magalhães onde, aliás, na quinta-feira, aconteceu mais um acidente, desta vez com vítima fatal.

O episódio resultou na morte de Bruno Gomes de Oliveira, 35 anos, que pilotava a aeronave quando colidiu com fiação elétrica.

Os registros ocorreram em pistas menores, com mais restrições quanto a decolagem e pouso, e, também, com aviões de pequeno porte. Essas aeronaves podem transportar passageiros, cargas, ou realizar atividades agrícolas.

O único caso com feridos, no ano passado, foi justamente num voo desse tipo, em março: numa fazenda em Correntina, a aeronave se chocou com uma lavoura de soja ao tentar decolar. O piloto teve lesões leves, e o avião, danos substanciais. 

 

mitigação de riscos, obtida por meio de ações de vigilância continuada e de monitoramento das operações. As fiscalizações ocorrem, portanto, de forma programada, não programada e a partir de denúncias”, informou a agência.

Para Márcio Teixeira, que foi piloto profissional por mais de 30 anos, mesmo com as regulamentações da Anac, a aviação geral é, sim, mais arriscada do que a comercial. 

“A aviação comercial, de linha aérea, é muito mais segura que a aviação geral, de táxi aéreo, executivo. Na aviação comercial, o piloto só voa naquele avião, o treinamento é rigorosíssimo, assim como a fiscalização. Normalmente, todos os aeroportos operam com ILS (sigla em inglês para Sistema de Pouso por Instrumento, dispositivo que fornece informações sobre o eixo da pista e trajetória ideal de planeio). Isso diminui muito a periculosidade. No táxi aéreo, não. O piloto é responsável até pelo abastecimento da aeronave”, desabafou. 

Ele aponta que fatores como a variação de temperatura e obstáculos na pista aumentam a dificuldade. “Quando eu viajava para Ibotirama, eu pousava às 6h, em torno de 20º C. Se você for fazer esse mesmo pouso meio dia, vai encarar 34º C. A temperatura quente faz o ar ficar mais rarefeito e o avião consome muito mais combustível”, acrescentou. 

“Árvores na zona de proteção de aeródromos limitam muito a visão do piloto. Em Vera Cruz, onde eu comecei, tinha muitas árvores nas cabeceiras da pista, que limitam a distância da decolagem e pouso, além do peso que a aeronave pode aguentar. Tudo que envolve a rampa de aproximação na pista interfere na segurança do pouso. Algumas pistas são feitas de forma errada, com vento atravessado, numa direção desfavorável. Isso também tem impacto”, completou Jorge.

Fios de torres de transmissão e de energia, que contribuíram para o acidente que vitimou a cantora Marília Mendonça e outras quatro pessoas, em Minas Gerais, também aparecem como vilões: os fios dificilmente são identificados durante a aproximação para pouso. Ainda em novembro, foi sancionada pelo senado lei com o nome da artista que obriga empresas de energia a implantarem alertas nas torres. Na Bahia, a Neoenergia Coelba não descarta adequações. 

“Todas as estruturas na área de concessão da distribuidora, inclusive nas proximidades de aeródromos, estão devidamente sinalizadas conforme a legislação vigente. Com relação à Lei Marília Mendonça, a empresa aguarda a sanção das novas regras e determinações dos órgãos competentes para avaliar eventuais adaptações, caso necessário”, respondeu em nota. 

 

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