Colunas

1 19/09/2018 21:00

As eleições de outubro estão cada vez mais próximas e , com elas , a sensação de que caminhamos para a radicalização. Nada mais ilusório. O país está tranquilo e, assim, vai viver mais um pleito para escolha do Presidente da República, governadores e parlamentares.

Por que não se pode dizer que existem polarizações? Essa será uma eleição fria, com as ondas de tensões mais provocadas por militantes do que pelas bases eleitorais. Há, em verdade, muito calor e pouca luz. Mesmo porque os grandes problemas brasileiros - o desemprego, a violência nas cidades e no campo, a intolerância e a exclusão social - não serão resolvidos com polarizações, mas com convergências e alianças. Inclusive à direita e à extrema direita, que, inegavelmente representam uma parcela do país.

Uma parcela horripilante, mas que existe é não pode ser ignorada. Aliás, que vai exigir seria é constante trabalho de comunicação.

Não há porque se temer, portanto, radicalizações. Primeiro, porque a história ensina que com as polarizações sempre perdemos. Foi assim em 1937 (o golpe do Estado Novo) e no pós-64 (a ditadura civil-militar), que ainda hoje, passados cerca de três décadas de democratização, ainda marca nossa história como uma sombra. Em paralelo, não temos partidos fortes, nem à esquerda e muito menos à direita. Registre-se q esta pela primeira vez assume sua verdadeira identidade e cai em campo para disputar votos. Temos sim muita espuma, feita, sobretudo, nas redes sociais. Mas o que chama à atenção são os movimentos pela paz, a exemplo da passeata no Rio de Janeiro, pela união das religiões e o movimento contrário à homofobia e contra a discriminação da mulher.

Quem tiver o cuidado de ler o livro O império, de Antony Negri, verá, sem qualquer dificuldade, que são bandeiras incorporadas pelo capitalismo há muito tempo. Inexistindo nelas, mesmo que desbotadas, qualquer coloração de esquerdismo. Ou de uma suposta revolução silenciosa, de caráter gramsciano. Balelas. Puro ilusionismo. O que o Brasil almeja, e precisa, é de capitais desenvolvimentistas e comprometidos com a boa e antiga ética modernizadora. Só assim encontraremos o fio de saída dos labirintos das tentações radicais que, há gerações, vêm adiando nossa modernização social. E, com isso, a construção de uma democracia autêntica. Contra os radicalismos, o Iluminismo das escolhas construtivas. Vamos às urnas, com espírito democratizo e cheios de esperança.

*Francisco Viana é jornalista e doutor em Filosofia Política (PUC-SP)


Categorias

 Francisco Viana 
Rua Tiradentes, 30 – 4-º Andar – Edf. São Francisco – Centro - Santo Antônio de Jesus/BA. CEP: 44.571-115
Tel.: (75) 3631-2677 - A Força da Comunicação.
© 2010 - RBR Notícias - Todos os direitos reservados.