Esportes

1 13/06/2018 10:00

Pela primeira vez, três países vão ser sede, ao mesmo tempo, da Copa do Mundo. A novidade vai acontecer no mundial de 2026, quando a América do Norte (Canadá, Estados Unidos e México) vai receber os jogos da disputa. A votação aconteceu nesta quarta-feira (13), em Moscou.

A candidatura é liderada pelos EUA e recebe 134 votos, contra 65 votos do Marrocos, que perdeu, pela quinta vez, a oportunidade de sediar o mundial. Além da mudança na sede, a Copa de 2026 também terá outras novidades, como mais participantes, mais jogos e mais estádios.

Serão 48 participantes, divididos em 16 grupos de três. O novo formato da Copa do Mundo vai obrigar a Fifa a redesenhar as Eliminatórias, já que todas as confederações terão mais vagas do que têm hoje.

A maior parte dos jogos será disputada nos EUA, que vai abrigar 60 das 80 partidas. As 20 restantes serão divididas igualmente entre Canadá e México.

A votação pela sede foi aberta pela primeira vez, e aconteceu com a participação de associações nacionais de futebol. As sedes dos Mundiais de 1990 a 2022 foram escolhidos pelo 24 integrantes do Comitê Executivo da Fifa (hoje rebatizado de Conselho da Fifa).

Votação

A votação ocorreu durante o Congresso Anual da Fifa. Os norte-americanos usaram uma cartada que agradou a muitos na Fifa: a promessa de uma receita recorde de US$ 15 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões), quase três vezes o que se obteve no Brasil em 2014. 

A votação ainda cumpriu um plano do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que precisava levar o Mundial para os EUA, país que o apoiou para assumir o comando da entidade em 2016. Numa tacada só, ele retribuiu sua eleição, compensou os americanos pela derrota na disputa pela Copa de 2022 e ainda criou um compromisso do governo dos EUA de não atacar sua entidade. 

Depois da polêmica e suspeita de compra de votos para a Copa de 2022, a Fifa reformou seu processo de eleição. Até agora, quem votava eram apenas os 24 membros do Comitê Executivo da entidade - o órgão caiu em descrédito e foi substituído pelo Conselho da Fifa. Desta vez, as 209 federações votaram e o resultado foi publicado.

Bastidores

Marrocos, em sua última apresentação diante dos eleitores, tentou insistir no aspecto emocional, alertando que a decisão não pode ser apenas financeira. Um dos ministros marroquinos também acompanhou a delegação, dando garantias financeiras. Mas ele também apontou que as armas estão proibidas no país, num ataque aos americanos. Outra arma usada: a acusação diante dos eleitores de que um garoto americano não saberia quem seria Maradona. 

Já nos bastidores, os marroquinos também tentaram insistir no fato de que a candidatura unida não seria tão unida, diante da tensão hoje existente entre o presidente americano, Donald Trump, e seus vizinhos. 

Como resposta, a candidatura americana usou um jogador canadense, que chegou como refugiado, para romper com a imagem de racismo ou xenofobia do governo de Trump. As referências aos imigrantes, união e solidariedade se repetiam. Brianna Pinto, jogadora americana, fez referência à sua boa relação com atletas iranianas. Mas não convenceu. 

Os americanos também insistiram que, pela infraestrutura que o continente dispõe, a Copa poderia ocorrer lá a qualquer momento. "Já está tudo pronto. Não precisamos construir nada", apontou um vídeo da candidatura. Além disso, a receita da Copa no Marrocos seria menos da metade daquela que os americanos garantiriam. 

Estadão

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